terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Bipolaridade: doença da moda?



Bipolaridade: doença da moda?Nos anos 80 tivemos os “ataques de pânico”, na década de 90 “depressão”, seguida de “desatenção e hiperatividade”. Estaríamos entrando agora na era da “bipolaridade”?

Bem... Acerca deste modismo, diríamos que a relação entre quadros de depressão e euforia, as chamadas manias, alternando na mesma pessoa é reconhecida há 2000 anos e se confunde com as origens da medicina moderna ou Hipocrática. Chamado de PMD - ou psicose-maníaco-depressiva - até o início da década de 1980, esse transtorno do humor é chamado de transtorno Bipolar.

A bipolaridade na realidade é a outra depressão. Apesar de necessitar da ocorrência de fases de elevação do humor para o diagnóstico, quando as pessoas tornam-se energéticas, falantes, dormem menos, envolvem-se em múltiplas atividades, têm a mente a fervilhar de idéias e podem criar problemas pelos seus excessos inapropriados com gastos e no relacionamento inter-pessoal, é na depressão que o paciente passa o maior tempo e experimenta a sensação mais terrível do sofrimento imposto pela enfermidade. Ela é quase sempre indistinguível da depressão comum, chamada unipolar.

A enfermidade possui enorme componente biológico com participação genética na casa dos 60%. Isso nos leva a reconhecer sua presença em vários membros de uma mesma família.

As variações temperamentais das pessoas chamadas “difíceis” ou “geniosas” ocorrem em diferentes graus de intensidade. Passam de oscilações de humor a obsessões, compulsões, pânico e transtornos alimentares como bulimia e comer compulsivamente. A identificação correta desde verdadeiro camaleão bipolar é de suma importância para seu correto tratamento e alívio do enorme sofrimento que causa aos pacientes e seus familiares.

No extremo de maior gravidade, temos as excitações maníacas, eufóricas, delírios de grandeza, perda do vínculo com a realidade, prolongadas depressões com ideação suicida. Nestes casos, há a necessidade de internação.

Que não se iludam com alguma possível benignidade desta enfermidade em suas formas mais leves de apresentação. A neurociência moderna é capaz de mostrar os efeitos dentro das células, em nosso DNA, do estresse promovido pela doença. Esses efeitos negativos facilitam o aparecimento de moléstias como diabetes tipo II, doença coronariana, hipertensão arterial, alguns cânceres e outras mais. Isso leva a grande maioria dos bipolares não tratados a viver muitos anos a menos do que a população em geral.

O suicídio é a face mais terrível do problema, infelizmente considerado um modismo por muito. Em toda a vida, 70% dos doentes tentam se matar e, infelizmente, alguns estudos mostram que 20% conseguem terminar com suas vidas.

Nem tudo é apenas má notícia na bipolaridade.Temos hoje tratamentos eficazes que vão de medicamentos, formas específicas de terapia a modificações de hábito e estilo de vida. Está cientificamente provado que o tratamento evita muitos dos terríveis destinos mencionados acima.

Quando estabilizados, os temperamentos ligados à bipolaridade tendem a produzir pessoas energéticas, mais criativas que a média, e que podem extrair muito da vida. Portanto, o desafio é reconhecer precocemente os afetados, tratar e impedir os danos e diminuir o enorme custo pessoal e social desta enfermidade.



2 comentários:

byClaudioCHS disse...

QUAL DE MIM SOU EU...?

Aqui, o poeta
não é simplesmente
um gênio do conhecimento
dos sentimentos humanos
Na verdade
não há gênio
(e nem conhecimento)
o que se passa
é que não passo
a palavra
a personagens,
nem empresto a voz
a ilustres heterônimos:
dividem-se, em mim,
dois pólos
que não se comunicam
não dividem o espaço
Cada um,
a seu tempo
preenche-o completamente
assenhoream-se
dominam-no
como se não tivera
outro dono
são pólos inconciliáveis
incomunicáveis
incompatíveis de gênio
senhores de si
e as vezes de mim
me confundem
são cheios de razões
não sei o que sou
são parasitas
alimentam-se
da minha consciência
e só percebo
que não são eu
quando se vão.
Mas... alternam-se
tão rapidamente
que nem tenho tempo
de ser eu mesmo
Eu? Desculpem-me:
quem sou eu?
Não sei...
Só sei que não sou eles
(mas também não sou eu...)
pois no curto espaço
de tempo
em que se ausentam
sou apenas
o vácuo,
vazio absoluto
Deus, olha pra mim...
e cura-me
antes que julguem-me
e condenem-me
porque
ninguém
irá
exorcizar
o que não são
possessões
mas dualidades:
euforia e medo...

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

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byClaudioCHS disse...

Medo...
Vontade de dar um grito,
ou calar-se para sempre
De ficar parado, ou correr
De não ter existido
ou deixar de existir (morrer)
Não há razão quando a mente não funciona
(redundante, não?)
Vão extinguindo-se as questões
mesmo sem respostas
Perde-se, neste estágio,
a vontade de saber.
O futuro é como o presente:
É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
Morreu a curiosidade
Morreu o sabor
Morreu o paladar
parece que a vida está vencida
Tenho medo de não ter mais medo.
Queria encontrar minhas convicções...
Deus está em um lugar firme, inabalável,
não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
Até porque, na verdade, confio nele
O problema é que já não confio em mim mesmo
Não existe equilíbrio para mentes sem governo
A química disfarça, retarda a degradação
mas não cura a mente completamente
e não existem, em Deus, obrigações:
já nos deu a vida, o que não é pouco,
a chuva, o ar, os dias e noites
Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
já que seremos vencidos pelo tempo
(este é o destino dos homens)
e seremos ceifados num dia que não sabemos
num instante que mira nossa vida
e corre rápido ao nosso encontro lentamente
(ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
Sei lá...
Mas não sei se quero estar aqui
para assistir o meu fim
Queria estar enclausurado, escondido...
As amizades que restam vão se extinguindo
e os que insistem na proximidade
são os mesmos que insistirão na distância,
o máximo de distância possível.
A vida continua o seu ciclo
É necessário bom senso
não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
Eu disse bom senso?
Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
nem princípios, nem razão, nem discernimento,
nem força alguma
Torna-se um alvo fácil
condenável pelos que estão em são juízo
E questionam: onde está sua fé?
e respondo: ela estava aqui agora mesmo...
ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim...
o problema é que, quando a mente está sem governo
(falo de um homem enfermo)
é como um caminhão que perde o freio
descendo a serra do mar...
perde-se o contato com a fé e com tudo o que há...
e por alguns instantes (angustiantes)
não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão...
ah... quem dera, quem dera...
que a mão de Deus me sustente neste instante...
em que viver é tão ou mais difícil que conjugar todos os verbos...
porque sou, neste momento
a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo...
tenho medo, medo...
medo de perder o medo
de sair da vida pela porta de saída...
medo de perder o medo
de apertar o botão "Desliga"...

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

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